Sinal Wow! — Big Ear, Ohio
Na madrugada de 15 de agosto de 1977, o radiotelescópio Big Ear, da Ohio State University, registrou um sinal de rádio estreito e muito mais intenso que o ruído de fundo do céu, numa frequência próxima à linha de 21 cm do hidrogênio neutro — historicamente uma das mais promissoras para buscas de sinais artificiais. O sinal durou 72 segundos, o tempo exato em que a rotação da Terra levou o feixe do instrumento a cruzar aquele ponto do céu, e apareceu em apenas um dos dois canais de recepção do telescópio, como se esperaria de uma fonte real e não de interferência terrestre. Dias depois, ao revisar o printout impresso, o astrônomo Jerry Ehman circulou a sequência "6EQUJ5" e escreveu "Wow!" na margem — origem do nome pelo qual o caso é conhecido. Nunca houve uma segunda detecção, apesar de décadas de buscas dirigidas à mesma região do céu com instrumentos mais sensíveis, e não existe dado bruto além desse único printout.
Operação Prato / Colares
Entre outubro e dezembro de 1977, moradores de Vigia, Colares e Santo Antônio do Tauá, na Baía do Marajó, relataram uma sequência incomum de luzes noturnas sobre a região. A Aeronáutica respondeu com uma operação formal em duas fases, comandada pelo Brigadeiro Protásio Lopes de Oliveira e coordenada no terreno pelo Capitão Uyrangê Hollanda, reunindo depoimentos civis, fotografias e formulários de ocorrência. Diferente da maioria dos casos deste arquivo, aqui a existência da investigação em si nunca foi contestada: o fundo documental completo — 758 itens entre relatórios, fotos, matérias de imprensa, vídeos e áudios produzidos pela Aeronáutica entre 1964 e 1985 — está hoje digitalizado e publicamente disponível no Arquivo Nacional. O que permanece em aberto é a origem física dos fenômenos relatados; boa parte da narrativa popular que circula sobre o caso foi construída décadas depois, sem se apoiar diretamente nesse acervo.
Noite Oficial dos OVNIs
Na noite de 19 de maio de 1986, testemunhas civis e militares em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás relataram, quase simultaneamente, 21 objetos luminosos no céu. O episódio não ficou restrito a relato visual: radares do CINDACTA confirmaram contatos, e a Força Aérea Brasileira chegou a despachar cinco caças para tentar interceptação. Quatro dias depois, o próprio Ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Octávio Júlio Moreira Lima, deu uma coletiva de imprensa ao lado dos pilotos envolvidos — um nível de confirmação oficial pública raro entre os casos deste arquivo. Um relatório confidencial consolidou os relatos em junho daquele ano, e dezesseis gravações de áudio do episódio só vieram a público em 2015, quase trinta anos depois. A hipótese de sprites — eventos luminosos de alta atmosfera associados a tempestades — explica parte plausível do componente visual, mas não dá conta, sozinha, dos contatos de radar registrados de forma independente.
Atualizações do arquivo
AARO, NARA RG 615, NARA RG 341 (Project Blue Book) e Fundo OVNI do Arquivo Nacional passam a ter página própria, com os casos que têm documentos de cada uma.
Dossiê atualizado com a conclusão do IPM 18/1997: sem irregularidade militar encontrada, e identificação provável do que foi avistado.
Roswell, Kenneth Arnold, Washington D.C. 1952, McMinnville, Betty e Barney Hill, Malmstrom AFB, Incidente de Teerã, Rendlesham Forest, onda belga, Phoenix Lights, Nimitz/Gimbal/GoFast e o marco institucional ODNI/AARO.
SINAL/RUÍDO também é um romance — e é explicitamente ficção.
O livro usa o mesmo método de investigação apresentado aqui como matéria narrativa. Os casos deste arquivo são reais; a história do livro não é.